quarta-feira, 22 de julho de 2020

The others...

Aquela sensação esquisita, mas no fundo reconfortante e com a qual convivi a minha vida toda, de que o "mal só acontece aos outros", está-se a desvanecer de uma forma muito inquietante. Queria mesmo ter esse chavão no meu quotidiano, mas cada dia novo que nasce, com o abrir dos olhos, agarra-se a mim cada vez mais, qual sanguessuga, a consciencialização de que nós próprios somos "os outros" dos outros... Eu sou "os outros"!
É aterrador...

quarta-feira, 15 de julho de 2020

2020 VIRUS WORLD PROJECT... o futuro projectado num filme de 1982.

Tendo este blogue 11 anos (11 anos????), acho que me é automaticamente verificado o direito e pertinência de também (há semelhança de 99.99999% das pessoas) fazer / escrever meia dúzia de palavras, que serão o meu vislumbre do que é isto de viver em 2020.

Ás vezes, naquele estado de meia acordada meia a dormir "sonhenso" (palavra da minha autoria que descreve esse acto de  sonhar e pensar em sobreposição) que ISTO não está a acontecer na realidade e que esse sentimento que me assola de "mas que raio se passa aqui" é puramente fruto de um filme que comecei a ver e acabei por adormecer a meio. ISTO, é este vírus que apelidaram de COVID 19. ISTO, é estas amarras que em pleno século XXI (o século das liberdades) se impõem. ISTO, é esta brisa de medo, que não é só matinal, este toque de desconfiança permanente, que não é superficial, este sabor amargo constante, que persiste num infindável final de boca. ISTO, é esta realidade surreal que estamos a viver e que sinceramente parece um filme de produzido em 1982 que conta a vida na Terra em 2020.

2020 Virus World Project, seria o nome do filme. E a sinopse seria mais ou menos assim (para trailer, por favor acrescentar jogo de luzes e rufos a gosto):

"Ano: 2020. População Mundial em janeiro: 7.800.100,545. População Mundial em julho: 7.798.200,123. Estimativa para novembro: 7.000.000,000. O Planeta Terra encontra-se grandemente afetado por um vírus que se propagou à escala Mundial. Todos os países têm infeções crescentes, nenhuma comunidade viva se encontra ilesa. O risco de contágio é iminente, imperial e invisível. Todos podemos estar já contaminados, sem sabermos. Todos somos potenciais assassinos. A luta pela sobrevivência, a luta pela cura, a luta pela proteção social, a luta pelo direito de ser livre, vivida em pleno século XXI. As novas rotinas, os novos hábitos, as novas regras sociais e limitações, impostas a uma sociedade mundial habituada a viver em contexto liberal e futurista. O clima geral de desconfiança no seio da população, as suspeitas políticas e económicas de complôs organizados, o apontar do dedo do próprio planeta à super potência China por ser incubadora e potenciadora do vírus e da sua propagação, pela sua histórica e tradicional cultura alimentar que inclui a ingestão de todo e qualquer ser vivo que caminhe de costas para a lua, que comercializa em mercados deploráveis.

Teremos chegado à nova era da Arca de Noé?"

quarta-feira, 22 de abril de 2020

... (II)

Queria que recolhesse ao seu cantinho dentro do peito, de onde não deveria ter-se soltado. Queria poder voltar a trás e nunca ter permitido que se expressasse, que nunca mostrasse a sua existência, mesmo que tivessem sido só percebidos laivos, sombras, pequenas insinuações de presença. Foi-se soltando de mansinho, em silenciosos passinhos que só consegui travar quando, pela minha inércia, começaram a ecoar. Não podendo retroceder no tempo, queria poder retroceder o trajeto que percorreu e deixa-lo descansado e tranquilo no pequeno lugar onde o confinei durante sempre. Convivemos, vivemos e sobrevivemos os dois, assim, por anos... Eu e este apontamento, esta pequena grande panóplia de sensações, ao qual nunca me atrevi de reconhecer como sentimento.
Mas as gotinhas que escaparam e derramaram, ganharam vontade de ser mar, e na imensidão em que se acreditam, reduzi-las e tranca-las revela-se numa tarefa que exige muito mais além da coragem, da força e da vontade. Exige algo que não sei o que é, não sei como cumprir.
A verdade é que esta inquietude que sempre me habitou, mas que dominava e domava, sempre se quis fazer entender como um desígnio, como um sinal, como uma peça solta de um puzzle final. Eu... sempre a quis ver como um pequeno delírio, um escape mental que visitava algumas vezes. Podia, assim, entrar numa outra dimensão, à minha medida quase, e viver uma vida paralela, só por fechar os olhos... Mas quando os abria, a portinha do cantinho fechava-se, tudo ficava em silencio e tranquilo até à próxima visita.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Mas não agora....

É mais que certo que se os pensamentos não forem verbalizados, não passarem da mente para a boca, ou para as palavras escritas, permanecerão apenas com quem os detém em forma de paisagem com névoa, sentimentos sem tradução, imagens sem legendas... Mas se algum dia forem expressos, materializam, ganham vida e vontade própria e passam a existir.
Os pensamentos, próprios e privados por direito de cada um, podem habitar-nos anos, eternidades, sendo invisíveis para o resto do mundo. Criam-se e até se procriam! Multiplicam-se, interligam-se, fazem enredos, dão vida a pormenores, projetam dimensões e criam momentos, imaginários, como se autênticos quotidianos se tratassem. Tudo faz sentido nesse pequeno mundo onde estão trancados, pois as regras são muito peculiares e feitas por alfaiate.
Podemos viver com eles para sempre. Sejam o que forem, como forem, sobre quem forem... Podemos abusar deles, recorrer a eles a toda a hora... Exercitá-los, provocá-los e testá-los. No fundo, fechados sobre nós mesmos, podemos até quase que viver, experienciar, como um momento 5D, toda a trama que eles desenrolam... Como um Mundo à parte... Como um toque de esquizofrenia...
Mas se um dia os pensamentos são verbalizados... ganham vida....

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O dia em que me torno irresponsável.

Hoje é aquele dia em que parece que a nossa vida recomeça. O dia em que deixamos de ser (ou, pronto, só suspendemos) responsáveis de tudo, por tudo e para todos. Hoje é o dia em que nos preparamos para nos tornarmos responsáveis apenas por aquilo que queremos: responsáveis pelo descanso, pelas pequenas tarefas caseiras (que ficam sempre em fila de espera até às férias), pela diversão e pelos passeios. No fundo, responsáveis, somente, para com a "boa Vida", por aquilo que nos faz sorrir e relaxar. Responsáveis por fazer acontecer de forma a que, quando chegar ao fim, hajam boas recordações, boas sensações, boas fotos... e muitas boas histórias para contar. Esta é, sem dúvida, uma responsabilidade de valor incalculável: tornar uma trigésima quinta parte de cada ano em algo de tal forma memorável que nos "alimente" no restante 97% do tempo. Hoje é o dia em que as minhas férias começam. O dia em que os sorrisos passam a ser mais verdadeiros e espontâneos, as noites ficam maiores e os dias... se esticam. Hoje é o dia em que dou o último suspiro de alívio para começar a suspirar de ansiedade e a rir com vontade. A partir de hoje sou tudo menos responsável. Serei mesmo irresponsável. Afinal, férias não são dias.... See u. soon

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Afinal, é possível...

... ter uma semi sensação de paz em horário laboral. Isto pode acontecer quando estão fora do ambiente de trabalho os factores que largam energia negativa. Ou melhor, energia carregadamente e contagiosamente podre. Uma vez por ano, e por raros dias, consegue-se este estado de alma, meio dormente, de quem não estando de férias (que seria o ideal), não desespera por isso (sempre com a chegada das ditas cujas em mira, claro). E assim, como se fosse o renascer da crença no Pai Natal, ou a prova da existência do monstro de Loch ness, eu acredito que, por aqui, existe uma espécie de felicidade em áurea de sabão. Quase, quase, quase que jurava... Mas eu sei que quem compra os presentes no Natal sou eu, por isso...

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Vou ali e já volto!

É... é mesmo assim: vou ali e já volto. Não são férias, mas também não deixam de o ser... E pela forma a que habituei a moldar-me a esta palavra-milagre, bem que posso dizer que vou de férias. A este ponto, já não interessa muito que nem meia dúzia de dias sejam... A este ponto, em que a saturação da minha alma já ultrapassou, largamente, o cansaço do meu corpo e intelecto, apenas o acto de "fugir", dar uma escapadela (está na moda!), por dois ou três dias soa a uma ocasião de deleite inagualável... Abençoada a República e a Democracia que permitiram a introdução deste conceito. Infeliz daquele que não sabe apreciar este recurso abençoado e que nele não vê qualquer vantagem (e eu conheço pessoas assim, por isso não é o mito do Pai Natal).